Cunha é um município no leste do estado de São Paulo. A população estimada em 2003 era de 22.975 habitantes e a área é de 1.407,172 km², o que resulta numa densidade demográfica de 16,33 hab/km². É a maior produtora de pinhão do Estado de São Paulo. O município de Cunha também concentra a maior frota de fusca do Brasil.
Localizada no Alto Paraíba, o município de Cunha ocupa 1410 km² de colinas e montanhas aninhadas entre as serras do Quebra-Cangalha, da Bocaina e do Mar. Limita-se com Ubatuba, São Luiz do Paraitinga, Lagoinha, Guaratinguetá, Lorena, Silveiras, Areias, São José do Barreiro no estado de São Paulo, e a Paraty no estado do Rio de Janeiro. A altitude media é de 1.100 metros e os pontos mais altos são o Pico da Macela (1.840 metros) e o Pico do Cume (1.630 metros). O clima é temperado e seco, com variações de temperatura de –3 a 15ºC no inverno e de 15 a 25ºC no verão.
Sua população reside, aproximadamente, 50% reside na zona rural. Atualmente as principais atividades econômicas são a pecuária leiteira e de corte e as culturas de milho, feijão e batata. Nos últimos anos vem crescendo o turismo como nova atividade do município, assim como a produção de trutas, cogumelos e artesanato. Destaca-se também, a cerâmica de alta temperatura, que tem atraído muitos turistas.
Estância climática
Cunha é um dos quinze municípios paulistas considerados estâncias climáticas pelo Estado de São Paulo, por cumprirem determinados pré-requisitos definidos por Lei Estadual. Tal status garante a esses municípios uma verba maior por parte do Estado para a promoção do turismo regional através do DADE (Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias), uma autarquia vinculada à Secretaria de Economia e Planejamento do Estado de São Paulo. Também, o município adquire o direito de agregar junto a seu nome o título de Estância Climática, termo pelo qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais.
História
O povoamento da zona ocorreu na primeira metade do século XVIII, sendo o município criado em 15 de setembro de 1785 pelo então governador da Capitania de São Paulo, Francisco da Cunha e Menezes com o nome de Nossa Senhora da Conceição de Cunha, em homenagem ao político. O nome anterior do povoado era Falcão.
Foi elevada a município em 1858 com a emancipação de Guaratinguetá já com a denominação atual. Vale a pena visitar o Museu Francisco Veloso, localizado no prédio da rodoviária, com um grande acervo de peças antigas, principalmente da Revolução de 1932.
A emancipação político-administrativa é comemorada em 20 de abril, sendo outros feriados 8 de dezembro, padroeira do município e 19 de março, dia de São José, outro fato interessante é a queima do judas e a cavalaria de São Benedito, realizada na segunda-feira após a Páscoa.
Vitivinicultura cunhense
Cunha já esteve no auge com a produção de vinho, introduzida no município por Antônio de Serpa Junior (chegou em Cunha para tratamento de saúde, escolhida esta pelo excelente clima que possui), ganhando medalha de prata na exposição Sul Americana realizada em Berlim no ano de 1887. Hoje a família Veloso vem trabalhando no resgate da vinicultura cunhense, já produzindo seus vinhos de mesa, sendo utilizada as uvas Isabela e Moscatel.
Tombamento
Há vários motivos para a ação de preservação do patrimônio cunhense acumulado do ponto de vista histórico, artístico, cultural e paisagístico. Basta lembrar que há referências históricas da existência de uma povoação primitiva, nos inícios do século XVII; depois, no século XVIII, há evidências mais fortes e documentadas de um povoado que inicia a sua consolidação em 1724, principalmente, por se ter agregado à rota de escoamento de parte do ouro extraído nas Minas Gerais; quase concomitantemente, desempenhou o papel de centro de abastecimento de algumas áreas mais próximas do Vale do Paraíba, fatos esses reconhecidos pela literatura histórico-científica, e já bastante conhecidos e divulgados. Sabe-se, também, que essas atividades geraram rendas e, consequentemente, aglutinaram-se pessoas ao seu redor. Desses primórdios remontam dois edifícios da maior importância histórica para a depois Vila de Nossa Senhora da Conceição do Facão: a Igreja Matriz, consagrada à Nossa Senhora Conceição (1731) e da mesma época a Igreja, depois denominada Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (1793), que servia de local de culto para os escravos e brancos pobres; por sua vez, outros exemplos vêm reforçar a riqueza do patrimônio histórico, artístico e arquitetônico da Cidade.
Revolução de 1932
Soldados paulistas no embate contra os fluminenses nos arredores de Cunha.
Monumento em homenagem ao mártir paulista Paulo Virgínio, entrada de Cunha pela divisa com Paraty.Em 1932, tornou-se palco de batalha na Revolução Constitucionalista, quando um batalhão da marinha do Rio de Janeiro composto de 400 praças subiu a Serra do Mar com a intenção de chegar a capital pelo Vale do Paraíba. Os combates no município duraram três meses e nesse período a cidade, principalmente na zona rural, foi bastante arrasada: fazendas destruídas; casas e lavouras incendiadas; criações de animais saqueadas; bombardeios e pessoas inocentes sendo mortas pelas tropas fluminenses. O centro da cidade tornou uma praça de guerra, a Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição foi bastante alvejada em furor pelos fluminenses.
Durante este confronto, a cidade de Cunha conheceu seu herói e mártir, o lavrador Paulo Virgínio, que foi morto por não revelar a posição das tropas paulistas. Em homenagem a esse ilustre cidadão, foi construído um monumento no alto da serra, onde termina o asfalto da rodovia Vice-Prefeito Salvador Pacetti, na entrada de Cunha por Paraty.
Cerâmica em Cunha
A cerâmica é uma atividade de crescente importância em Cunha. Ela existe desde que a região era ocupada pelos índios da etnia dos guaranis. Esta atividade foi continuada pelas paneleiras que produziam peças utilitárias com técnica rudimentar, queimadas em forno de barranco.
Em 1975 chegou a Cunha um grupo de artistas que se instalaram no antigo Matadouro Municipal que estava sem uso na época, o qual é cedido em regime de comodato pela Prefeitura Municipal de Cunha. O grupo era formado pelo casal japonês Toshiyuki e Mieko Ukeseki, o português Alberto Cidraes (remanescentes do Grupo Takê) e os irmãos oriundos de Minas Gerais, Vicente e Antônio Cordeiro. Esse grupo dará início à construção do primeiro forno noborigama em Cunha. O forno noborigama é uma técnica de cerâmica de alta temperatura trazida do Japão. O grupo constrói o forno noborigama, dando início assim, ao Atelier do Antigo Matadouro. A primeira abertura de fornada acontece em 1976. Esse forno funciona até 1978 como forno grupal.
No final da década de 80 a cerâmica desenvolvida em Cunha começa a se projetar no cenário nacional e os ceramistas a produzir de forma mais sistematizada. São realizadas aberturas de fornadas ao público e ceramistas paulistanos começam a chegar na cidade para montar os seus ateliês. Essa nova configuração organizacional da atividade cerâmica proporcionará o incremento do fluxo de turistas na cidade e fomentará a realização dos festivais de inverno, que se engendrariam posteriormente.
Em 2005 foi comemorado os 30 anos da construção do primeiro forno Noborigama em Cunha e foi realizado o I Festival de Cerâmica de Cunha (16 de julho a 11 de setembro de 2005). O forno Noborigama, forno ascendente em japonês, foi o mais eficiente para alta temperatura na era pré-industrial. Uma sucessão de câmaras interligadas em patamares, garante um controle localizado da temperatura e uma economia de combustível, pelo aproveitamento do calor usado na câmara anterior. Permite a queima simultânea de grande quantidade de peças com variações que a naturalidade do fogo de lenha imprime.
Atualmente, Cunha é um dos mais importantes centros de cerâmica artística da América Latina, com 16 ateliês agrupados na Cunhacerâmica, associação dos ceramistas de Cunha. Os ateliês de cerâmica são uma das principais atrações do turismo cultural de Cunha, recebendo inúmeros visitantes.